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Amor líquido - Não desista de amar - P3

  • Foto do escritor: Ewerton Araujo
    Ewerton Araujo
  • 3 de out. de 2021
  • 3 min de leitura

Você é o amigo do seu irmão ? ou irmão do seu amigo ? O que te aproxima dele, as coisas que vocês gostam, simplesmente terem crescido juntos e acharem que essa convivência é uma obrigação do destino, então o que define Afinidade ou Parentesco, um deles pode ser definido por escolha, mas o outro com certeza não pode.


Nas palavras de Baumam “Afinidade” é um parentesco “qualificado”, você não escolheu nascer em uma família com os irmãos que você têm, ou sem irmãos, mas ‘escolherá’ com qual deles terá mais afinidade, a amizade “também”, através da interação em grupo seu comportamento estabelecerá pessoas que possuem algum grau de cultura, ou foram criadas em ambientes parecidos com o seus, você terá maior tendência em se relacionar com esse tipo de pessoa, por isso dizem que “atraímos” pessoas parecidas conosco, então cuidado quando criticar alguém que é muito próximo de você. Basicamente as pessoas que terei maior estima em me relacionar futuramente, tem relação direta nos relacionamentos que vivenciamos, seja observando a relação dos nossos pais, ou pessoas que nos criaram, relacionamentos de amizades ou amorosos que tivemos, e tudo o que vivenciamos desde o momento em que nascemos até esse exato instante, trará um conceito de mundo e de realidade que só você terá acesso, a esses valores e representações adquiridos desde o momento de nosso nascimento, que classificaram no ambiente de forma “inconsciente” as pessoas com quem nos sentiremos mais atraídos.



Figura (1) - Kylo - Unplash


Seu Pai com certeza não é parente de sua mãe, porém a afinidade entre eles gerou uma relação de parentesco, que é você, então a afinidade de uma geração gera o parentesco da geração seguinte, portanto toda afinidade em qualquer tipo de relacionamento, tem uma tendência a tornar-se semelhante a intimidade de um parentesco, mas toda aproximação de uma relação gera atritos, então até mesmo em uma amizade, tem de haver uma disposição para se concretizar tal intenção de relacionar-se. Entra assim uma das questões primordiais que o “viver juntos” é por causa de, não a fim de, as ponte acabam se tornando inúteis, a menos que cubram totalmente a distância entre as margens, logo que não se sabe se irá viver um tráfego intenso ou um beco sem saída.


Por conseguinte o relacionar-se terá de haver entrega para acontecer o amadurecimento, à medida que a afinidade diminui paradoxalmente o parentesco aumenta, e os atritos da convivência também, até começar os hábitos de uma pessoa destilar sobre os hábitos da outra, até se tornarem tão parecidos que ao criticarem o outro estarão se auto criticando, é quando nossa sombra começa a nos assombrar, ou amadurecemos, ou sufocamos nos hábitos do outro, mas o controle de tais eventos entra tanto no campo da impossibilidade quanto você desejar que isso não ocorra.



Figura (2) - Laercio Cavalcanti - Unplash


A afinidade em si irá bem mais longe do que imaginamos, o termo “comunidade imaginada” cunhado por Benedict Anderson diz respeito sobre uma identificação "imaginária" com um amplo número de indivíduos inexistente de sua rotina, que você absorverá todos os conceitos atribuídos por aquele grupo e os tornará seus, para enfim sentir-se agregado a certa classe de pessoas, “cobrindo” uma certa solidão física com uma presença virtual. Incluindo os “desconhecidos” em um “nós” tendentes a revelar um interior semelhante e portanto “familiar”, que se autoconstrói em torno de eventos, ídolos, pânicos ou modas.


Confesso que esse desespero de atenção surge a partir da busca de uma sensação de pertencimento, mas o problema desse convívio moderno é que você pode pertencer a um relacionamento, ou a um grupo, ou determinada religião sem abdicar de nossa “independência” ? A resposta é Não, pois todo relacionamento trará responsabilidades, e como eu escrevi no texto passado, o tentar controlar o amar é tão impossível quanto saber em qual dia ou sobre qual condição você irá morrer, mas o trabalho do jardineiro nunca termina, portanto se quero me relacionar verdadeiramente com alguém ou com um grupo de pessoas em prol do mesmo objetivo, preciso me entregar inteiramente e enxergar aquilo ou que verdadeiramente me limita para que possa também me desenvolver como pessoa.





 
 
 

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