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Memória

  • Foto do escritor: Ewerton Araujo
    Ewerton Araujo
  • 6 de jun. de 2021
  • 7 min de leitura

“A memória recolhe os incontáveis fenômenos de nossa existência em um todo unitário; não fosse a força unificadora da memória, nossa consciência se estilhaçaria em tantos fragmentos quantos os segundos já vividos” Ewald Hering (1920). (pg 1. Artigo: Memória: Conceituação e Processos Envolvidos )


Você já foi caminhando ou dirigindo para um lugar e estar totalmente inerte em seus pensamentos e simplesmente chegar para onde você estava se direcionando e não ter precisado lembrar do caminho para ter chegado lá, ou melhor ainda alguém já perguntou pra você como chegar neste mesmo local e você não sabe explicar muito bem, mas se for até lá novamente percorre o caminho corretamente, pois é, a nossa capacidade de memória tem recursos que qualquer ser humano pode aprimorar e mesmo aqueles que não desenvolvem suas capacidades principalmente relacionadas a linguagem, conseguem involuntariamente utilizar destes mesmos recursos sem precisar conscientemente se concentrar muito para que nosso cérebro utilize deste nosso processos psicológico que chamamos de memória.





A memória dentro daquilo que os pesquisadores conseguiram determinar até agora podemos dividi-la em processos, o primeiro deles que classifica é o armazenamento, que podemos subdividi-lo em três processos.


1. Aquisição


Primeiro contato com a informação sensorial-cognitiva chega até nosso sistema nervoso que transporta a informação até o cérebro.

2. Consolidação


Processo do armazenamento em que ocorrerá alteração bioquímica nas ligações entre nossas sinapses que determinaram o armazenamento mais duradouro de uma determinada informação, para esse processo de uma memorização que irá reter a informação por mais tempo temos que ter contato com a mesma informação de forma sensorial até que ocorra alguma alteração entre as ligações sinápticas, ocorre nesse processo sensorial fenômenos eletrofisiológicos que armazenam a informação só durante o período em que ela é necessária, se essa mesma informação for necessária mais de uma vez ela pode se consolidar através dessas alterações que podem ser morfológicas ou funcionais.


¨As alterações

estruturais compreendem a formação de novas espinhas

dendríticas (as quais permitem que um determinado neurônio receba mais aferências de outros neurônios) ou então

a formação de novos prolongamentos axonais (os quais

permitem que um dado neurônio transmita mais sinais

para os neurônios com os quais ele se conecta). Podem

ocorrer ainda alterações morfológicas que criam novos

circuitos que anteriormente não existiam. Finalmente, no

caso das alterações funcionais, são formados novos canais

iônicos ou novas proteínas sinalizadoras, que otimizam a

transmissão sináptica¨.

(pg 2. Artigo: Memória: Conceituação e Processos Envolvidos )


Com base nessas alterações morfológicas você irá entender o processo de armazenamento graças ao termo neuroplasticidade, que diante de estímulos percebidos a todos momento que estou chamando de informação captada de qualquer ambiente em que o indivíduo esteja presente, seu cérebro ao armazenar algo não guarda a informação em determinado neurônio como se fossem gavetas, esse termo é errado, o que realmente ocorra é uma alteração fisiológica da rede neural em nosso cérebro.


3. Evocação


A evocação ou recuperação é o que denominamos memória de trabalho e é uma das nossas funções executivas mais importantes, é o processo organizador que solicitará determinada informação em algum ambiente que for realmente necessário, distribuindo de forma coerente ao contexto em que o indivíduo está inserido (integração temporal). Vamos dividir o processo de evocação em dois subprocessos.


3.1) Reconhecimento: Esse é o primeiro deles, quando olha aquela pessoa que tu conhece e ao mesmo tempo por algum tipo de traço de expressão você tem algum sentimento de familiaridade e vem a tona o reconhecimento dela mesmo que você não lembre muito bem como ela se parece quando não está perto dela, seu cérebro faz essa busca automaticamente no encontro dela ou de algum lugar tenha passado.


3.2) Recordação: Os dois processos de evocação estão conectados, quando o reconhecimento trabalha de forma involuntária, a recordação traz informações da nossa consciência referentes a determinados estímulo, podendo ser uma pessoa, um lugar, um tipo de comida etc, e você começa a traçar lembranças de experiências de quando você teve contato sensorial com aquele determinado estímulo, é um processo voluntário de busca de informações referente ao estímulo apresentado.





Classificação das memórias


  • Memória Sensorial


Memória de natureza ultrarápida, pois nossos sentidos recebem mais estímulos do que temos capacidade de recuperar, esses estímulos de natureza sensorial, sejam eles visuais, olfativos, auditivos, gustativos e táteis, fornecem informações em um fluxo constante para nossa consciência que possui caráter seletivo para nossa atenção, dependo do que no ambiente temos mais interesse no momento, a memória sensorial por ser ela ultrarápida é armazenada somente por fenômenos de natureza elétrica não produzindo alterações morfológicas, tendo por assim dizer um caráter pré-consciente, ou seja, ocorre antes que tomemos consciência do estímulo apresentado.


  • Memória de Trabalho


A memória de trabalho está associada à necessidade momentânea de armazenar alguma informação e a utilidade dela durante período de tempo determinado, mas tem mais do que a função replicadora de informações já concebidas, mas também como organizadora desses estímulos para quando necessitamos aplicar uma resposta consigamos somente utilizar a informação necessária para determinada atividade, ou seja, irá evocar as memórias e distribuirá logicamente essas informações.


¨...Portanto, a memória de trabalho gerencia as informações contidas em nossa memória de longo prazo, trazendo à consciência as informações de maneira sequencial e ordenada, criando um fluxo de pensamento coeso e coerente, permitindo que, assim, possamos produzir nossas ideias em consonância com o que a realidade nos apresenta¨ (Goldberg, 2009).

(pg 2. Artigo: Memória: Conceituação e Processos Envolvidos )




  • Memória de Longa Duração (MDL)


Também conhecida como memória remota guarda informações por tempo indeterminado, tanto que essas informações continuam a ser reforçadas com o passar dos anos. Vamos subdividi-la em 4 tipos de memórias:


  1. Memória não-declarativa: Também conhecida como memória explícita tem a capacidade de evocar informações através de palavras utilizando de memórias prontamente acessíveis em nossa consciência.

  2. Memória episódica: Guarda informações relacionadas a determinado momento no tempo, gravando experiências de acordo com aquilo que mais causou algum tipo de emoção que vai fazer você consciente relatar determinados episódios da sua vida de forma a construir sua autobiografia.

  3. Memória semântica: É a parte da MDL que que grava fatos independente de tempo e espaço definidos, não tem haver com uma experiência direta ao fato.

  4. Memória não-declarativa: Memórias em nível subconsciente não sendo evocadas por palavras mas por ações.


A memória de longa duração demora em média 3 a 8 horas, e o nível de neurotransmissores transmitidos no momento da aquisição da informação relacionada à memória, ao longo da perda dessa excitação que é normalmente exercida pelo glutamato o principal neurotransmissor excitatório mais comum, ou com a ação do ácido inibitório mais comum que é o ácido gama-amino-butírico, outros auxiliam na memorização como a dopamina e a serotonina que são neurotransmissores que auxiliam nos estados de vigília e no de alerta. A serotonina regula o estado de ânimo, e falha na depressão. Agem quase que ao mesmo tempo sobre o hipocampo, o córtex entorrinal e o córtex parietal, uma estimulação intensa da via serotoninérgica ou uma inibição das vias dopaminérgica ou noradrenérgicas, podem por exemplo cancelar efetivamente a formação definitiva de uma memória horas depois de ter sido adquirida, pois essas vias regulam enzimas que afetam o metabolismo da célula nervosa e prejudicam sua capacidade de ativar genes e sintetizar proteínas, portanto, gravar memórias.


Um dos processos bioquímicos no hipocampo necessários para a consolidação das memórias declarativas é a potenciação de longa duração (LTP) que é o aumento de tamanho das respostas de um grupo de neurônios desencadeada pela estimulação repetitiva durante alguns segundos, e ocorre no hipocampo durante a consolidação de algumas memórias. Dependendo dos parâmetros de estimulação e\ou do estado prévio de cada sinapse, pode ocorrer em vez de uma potenciação, uma depressão de longa duração (LTD) da resposta dessa sinapse. Mecanisticamente as duas são semelhantes: envolvem uma ativação inicial de certo tipo de receptores ao ácido glutâmico, o principal neurotransmissor excitatório; a entrada na célula pós-sináptica de cálcio, seguida da ativação de várias enzimas dependentes desse íon, que permitem a transferência de íons fosfato de umas proteínas a outras e a subsequente ativação da transcrição do DNA, leva a síntese proteica nos ribossomos do citoplasma do neurônio ativado. (pg 5. Artigo: Memória: tipos e mecanismos-achados recentes.)





  • Esquecimento e Extinção


O processo de esquecimento é um dos mais importantes, pois tem haver diretamente com a economia de energia neural e a otimização na ocupação de áreas do córtex cerebral com informações. Algumas pessoas que são incapazes de esquecer algumas informações por determinado tempo, ou seja, ficam presas a determinados estímulos de forma constante, apresentam um enorme desgaste psicológico, havendo um prejuízo em relação a absorção ou interpretação de novos estímulos. O esquecimento é extremamente importante, pois somos bombardeados por incontáveis estímulos diariamente que são totalmente desnecessários a nossa vida prática, e para que nossa memória de trabalho possa agir de forma coerente precisamos de um bom funcionamento das nossas vias aferentes neurais, para que quando necessitarmos de alguma informação esse recurso esteja em pleno funcionamento. A extinção diferencia-se do esquecimento, porque o na extinção é uma memória latente, assim dizendo, condições apropriadas ela pode ser evocada diferente da memória esquecida.


  • Memória não declarativa


As memórias não-declarativas ou implícitas estão relacionadas principalmente a memórias motoras, que são extremamente difíceis de serem adquiridas, melhor dizendo consolidadas, mas a diferença é que uma vez depois de várias repetições, tornam-se automáticas, inconsciente extremamentes resistentes ao esquecimento sem necessidade de sua evocação, até em casos de lesões graves que o indivíduo esquece o próprio nome, mas se ele entrar em um carro irá saber dirigir, andar de bicicleta caso obviamente não tenha se prejudicado fisicamente também.

Recentemente há muitos estudos relacionados ao que chamamos de priming, que é uma memória induzida por pistas, por exemplo, há lugares que não conseguimos descrever qual é o melhor caminho para alguém que queira ir a esse determinado local, mas quando nós nos deslocamos chegamos exatamente onde queremos, pois ao longo do percurso vemos pistas da direção correta, um mercado, a cor de uma casa, uma árvore etc, e isso vai induzindo de forma também motora a nos conduzir de forma “instintiva” até onde precisamos chegar. Esse recurso é muito explorado por propagandas nas vendas de seu produtos, com uma indução repetitiva de forma compulsiva, nos bombardeando de pistas em relação às características de seus produtos, ou onde adquiri-los que quando passarmos em algum local que forneça determinado conteúdo nossa “escolha” recairá sobre a marca apresentada no passado.




Artigos utilizados como referência:


Memória: tipos e mecanismos-achados recentes


Memória: Conceituação e Processos Envolvidos


 
 
 

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