Amor Líquido - Não desista de amar - Parte 2
- Ewerton Araujo
- 5 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de set. de 2021
Falo sobre amor, mas também falo sobre o que o amor pode parecer e não ser, digo que amar ao longo prazo na construção de uma relação, de um casamento, filhos, uma boa casa, é uma das maiores vitórias do amor, algo para perdurar não só para sentir, ou desejar por instantes e trocar, bloquear, mas para se lembrar enquanto se constroem as novas lembranças.
Não sabemos definir muito bem a vezes o que sentimos, mas de certa forma, quando sentimos algo em relação a outra pessoa, simplesmente criamos uma expectativa futura sobre ela, e tentamos personificar essa expectativa, nesse mesmo instante surge o sofrimento, pois não conseguimos obter uma pessoa simplesmente desejando ela, tem que haver um desejo mútuo, e ainda ela tem que querer ficar com a gente, só desejar não basta, então começa um certo jogo de demonstração e de não demonstração de interesse para não haver desgaste ou entendimento que aquilo não é nada mais do que o amor líquido de sempre, nada de amor à primeira vista, só um interesse rápido que pode acabar em menos tempo que levou para ficar a primeira vez com a pessoa, e o jogo se completa ao conquistarmos a pessoa ? não, pois esse desejo em relação aquela pessoa tem prazo de validade, mas a função próprio desejo é manter a sua sobrevivência e começar a desejar coisas novas..

Figura 1 - Unplash (Oziel Gomez)
VAMOS LÁ !! A primeira condição do amor líquido é não apegar-se, a conveniência é a única coisa que importa, isso é algo para uma cabeça fria, não para um coração quente, quanto menos investir no relacionamento, menos exposto vai estar a uma flutuação do “mercado”. A segunda condição basicamente é você não deixar a relação de bolso cair do bolso, pois é quando a conveniência torna-se inconveniência, se notar algo que não negociou, é hora de seguir adiante, é o tráfego que sustenta o prazer.
Vivemos em um mundo em que a relevância de algo independe de sua qualidade, mas tem haver com quantidade, por exemplo, uma música só tem qualidade não pela sua boa harmonia e composição, mas pela quantidade de discos vendidos, de um evento ou performance públicos pelo número de espectadores de televisão, relevância de opinião pela quantidade de seguidores. Então a massa se torna escrava daquilo que ela mesma definiu como importante, aquilo que é duradouro torna-se torturante, você busca um relacionamento para ter segurança e descobre que nunca esteve tão inseguro em toda a sua vida, pois expectativa é sofrimento, criando essa projeção mental a respeito de alguém e quando há um confronto com a realidade sobre como aquela pessoa age de verdade, você à culpa, mas na realidade a culpa é sua, a expectativa é sua e não dela, não é sua função mudar ela e nem dela mudar você.
As pessoas procuram parceiros e buscam se envolver com alguém para escapar da aflição, da fragilidade da existência, mas quando sua expectativa depende de alguém específico, então começa a verdadeira aflição, mas fugir de um relacionamento te torna necessariamente imune ao sofrimento de se apegar emocionalmente a alguém? A resposta é não, pois amar é tão incontrolável quanto prever a própria morte, não é fácil conviver com outras pessoas, mas não há outra alternativa de amadurecimento se não tentar.
Como pode você entrar em um conflito que não existem trincheiras, e ainda dizer que isso faz parte do amadurecimento humano? Esse é um dos nosso maiores dilemas, o atrito da convivência faz parte da própria existência, e depositar expectativas de comportamentos futuros em outras pessoas, como amigos, familiares, parceiros ou parceiras, fará parte de sua vida enquanto você existir, então fugir de uma relação é tão impossível quanto você parar de respirar, entre nessa rota da vida sem tentar controlar toda as variáveis, pois isso é impossível, acreditar no relacionamento duradouro, é acreditar na própria vida, mas não necessariamente em uma relação amorosa, em ter amizades duradouras, boas relações de trabalho com sócios que vão e acompanhar em todas as dificuldades.

Referência -
Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos - Zygmunt Bauman



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